Thursday, January 25, 2007

Recurrent designs






Some more images from the beautiful Burkina Faso (Tiébélé region) traditional architectures. Round houses, made with mud-bricks, are the most common type.

Curiously, the decorations of the houses strongly recall the portuguese prehistoric schist plaques (image 5) - as well as the angular motifs of megalithic art in the Bend of the Boyne (Ireland) area, or in the NW of Iberia.

The same basic motifs are also found in some of the Near East Neolithic sites...

Entoptic motifs?

Universal signs?


It is curious to note that these motifs could be somehow inspired on (or have some kind of link to) the basketry patterns (image 4). Some Tiébélé houses display also plastic motifs, loke crooks (image 1), breasts, snakes, in bas-relief. All these motifs are present in Alentejan neolithic contexts...

Wednesday, January 24, 2007

Re-Creating the Past


Jumiaf: ditched settlement, close to the Guadiana river, in Central Alentejo.
Actually, it has been virtually reconstructed, gathering archaeological information from the excavations on the settlements of Juromenha, Mimosas and Aguas Frias.

The Present Past





Traditional architecture from Burkina Faso, one of the sources of inspiration for the re-construction of the Jumiaf settlement.

Wednesday, January 17, 2007

Cup and ring carvings in Great Britain



The same basic designs as in Laxe das Rodas: concentric circles around a central cup, some with a line coming out from it.

The moon in the shadow


Alto de S. Bento: sunlight and shadow creating crescent moon

Monday, January 15, 2007

Pecked carving on Alto de S. Bento (Évora)


Imagem do sulco picotado, junto ao moinho Sul. Pode tratar-se de uma estrutura de drenagem, relacionada com o moinho (referido nos últimos posts).

Sunday, January 14, 2007

Alto de S. Bento: signs and traces from the past





E o Alto de S. Bento aqui tão perto...


O Alto de S. Bento é, desde que me lembro, lugar de visita obrigatória para qualquer eborígene que se preze e, nos últimos anos, assumido como o miradouro da cidade, tem vindo a ser requalificado aos poucos. Galopim de Carvalho viu o espaço como um geomonumento e o sonho tem vindo a ganhar asas.






Trata-se, provavelmente, do primeiro dos povoados pré-históricos da região a ser identificado.


Curiosamente, nunca ninguém, que eu saiba, fez menção a uma série de vestígios, evidentes na superfície rochosa, junto aos dois moinhos restaurados.


Já fiz, num dos posts anteriores, referência a vários aspectos:


1. Sulcos alongados, de secção em V, semelhantes aos que ocorrem normalmente associados a polidores de machados de pedra.


2. Uma linha sinuosa, picotada, nas traseiras do moinho mais meridional, que parece continuar debaixo do moinho.


3. 3 covinhas junto à porta do moinho mais setentrional.


4. Duas pias, com diâmetros da ordem dos 15 cm e 30 cm, respectivamente.


As duas pias apresentam um alinhamento sensivelmente E-W, têm as paredes verticais, escassa profundidade e são perfeitamente circulares; a maior apresenta um sulco, com cerca de 2 cm de profundidade, que sai da borda da pia e se dirige mais ou menos para Oeste.




A interpretação mais imediata, seria a de que se trata de pias para animais, como as que se vêm, com frequência, escavadas na rocha das "ruas" dos montes alentejanos. No entanto, nem a forma circular e muito menos com tal regularidade, são habituais nessas pias e o sulco seria completamente descabido para tal função.


Na verdade, apesar das distâncias e dos contextos, o paralelo mais sugestivo parece ser o petróglifo galego da Laxe das Rodas. Efectivamente, a morfologia (perfeitamente circular, de paredes verticais e com um sulco que sai da pia) e as dimensões parecem conjugar-se; o próprio contexto concorre para esta possibilidade, uma vez que parece haver outras manifestações pré-históricas, nomeadamente manchas de picotados que ocorrem junto dos sulcos acima referidos. As manchas de picotados, sem ordem aparente, são um elemento recorrente na arte rupestre do Alqueva e não só (recorde-se que no mais rico exemplar de arte megalítica europeia, os monumentos da Curva do Boyne, na Irlanda, os picotados soltos são recorrentes.


Por outro lado, o exemplar da Laxe das Rodas aproxima-se de um dos temas mais recorrentes da Arte Rupestre galega: os círculos, as espirais ou os labirintos com uma linha que liga o centro ao exterior da figura.


Friday, January 12, 2007

Godel: um polidor de machados nos arredores de Évora





O povoado do Godel localiza-se num cabeço destacado, mais ou menos equidistante dos recintos megalíticos da Portela de Mogos e do Vale Maria do Meio, assim como das antas da Valeira. Há uns anos, no contexto dos trabalhos desenvolvidos no Vale Maria do Meio, foram recolhidos, à superfície, alguns escassos vestígios de ocupação, no Calcolítico (III milénio antes de Cristo), nomeadamente pesos de tear (crescentes) e bordos espessados.

Para além disso, no topo do cabeço, sobressai um grande afloramento de rocha anfibólica aproveitado para a implantação de um marco geodésico. Junto à base do marco, existe um polidor de machados formado por uma "cama" de polimento e três sulcos de secção em V, com espessuras diferentes e comprimentos na ordem dos 8-10 cm. Estes sulcos, apesar de mais curtos recordam, como se viu, aqueles que foram identificados no povoado do Alto de S. Bento.

Os polidores de machados deste tipo são raros em Portugal, embora se encontrem , com frequência, polidores móveis, em contextos de habitat Neolítico e Calcolítico; porém, noutras áreas europeias são relativamente frequentes.

http://www.megalithic.co.uk/search.php?author=&topic=&country=&query=&type=&category=&county=&sitetype=66


Note-se que os machados se tornaram um dos temas simbólicos mais recorrentes no Neolítico europeu; trata-se, naturalmente, de um utensílio fundamental para o próprio processo de neolitização, em que o abate de florestas foi uma das acções preliminares, indispensáveis à prática da agricultura e da pastorícia.

Por outro lado, são conhecidos, no contexto europeu, vários casos em que a própria produção de machados ocorreu, aparentemente, em contexto altamente simbólicos.

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=axe+quarries+Le+Pinacle&meta=

http://links.jstor.org/sici?sici=0028-646X(199303)123%3A3%3C585%3APIDAWA%3E2.0.CO%3B2-P

Abstract:
In the site of Godel, near Évora, with Early Bronze Age artefacts on surface, we found a axe polisher made on a amphibolites outcrop.
This kind of feature is very rare in Portugal, though frequent in some other European areas. We can consider a possible ritual meaning, mostly considering the location as well as some parallels with other similar occurrences in European Neolithic.
We can also question the methodological division between ritual and everyday life places.
In a previous post there are images of something similar in another Neolithic settlement close to Évora: Alto de S. Bento.

Wednesday, January 10, 2007

Evoramonte: from the skyline to the centre of the world



Evoramonte is the most proeminent feature in the Central Alentejo skyline, as seen from the most important megalithic sites around Evora.

In the Bronze and Iron Ages, Evoramonte became the largest walled site of the Iberian Southwest (as much as we certify from published data).

Alto de S. Bento rock art?







Some of the features, referred in the previous post and recently observed in the Alto de S. Bento neolithic settlement.

Alto de S. Bento: antes das origens de Évora


O Alto de S. Bento é um cabeço granítico, adjacente à cidade de Évora, que funciona como um excelente miradouro sobre a cidade Património Mundial.
Conhecido como povoado pré-histórico desde, pelo menos, o séc. XIX (foi visitado por E. Cartaillac), o Alto de S. Bento foi recentemente objecto de novas prospecções que permitiram afinar melhor a cronologia dessa ocupação e levantar novas questões, extremamente interessantes, no contexto da neolitização do Alentejo Central.
De facto, além das evidências de ocupação no Calcolítico (genericamente, o III milénio antes de Cristo), o sítio foi ocupado numa época que, em princípio, corresponde à própria transição Mesolítico-Neolítico, isto é, a fase em que as últimas sociedades de caçadores-recolectores deram lugar às primeiras sociedades agrícolas e pastoris e que, no nosso território, ocorreu algures entre os finais do VI milénio antes de Cristo e os inícios do V.

A atestar esta fase mais arcaica, recolheu-se um conjunto de artefactos de sílex (lamelas e micrólitos geométricos) e raros fragmentos de cerâmica decorada, sugerindo algum paralelismo com o sítio, escavado no Verão de 2006, da Barroca 1, nos arredores de Mora, assim como com o sítio do Barrocalinho 17, nas proximidades de S. Pedro do Corval.

De uma forma geral, pode afirmar-se que, nesta fase, o Alto de S. Bento foi um dos povoados dos construtores de menires e recintos megalíticos (ou cromeleques).

Por outro lado, a superfície do batólito, junto aos moinhos onde, actualmente, funciona um Centro Interpretativo para a Geologia e a Flora regionais, apresenta alguns elementos cuja cronologia pré-histórica, embora discutível, parece bastante sugestiva. Trata-se, sobretudo de um conjunto de sulcos alongados, de secção em V, que se assemelham aos que acompanham, com frequência, os polidores de machados, como se pode observar, nos arredores de Évora, junto à base do marco geodésico, no cabeço do Godel, perto do cruzamento da Valeira. Trta-se igualmente de um local com vestígios de povoamento pré-histórico.
Este tipo de marcas, cuja funcionalidade é controversa, é recorrente, noutras áreas europeias, em associação com dolmens e menires e foi também observado em rochas das proximidades do sítio com gravuras rupestres dos Mocissos, no Alqueva.
No Alto de S. bento, os sulcos ocorrem associados a manchas de picotados, temática igualmente representada no complexo rupestre do Alqueva.

Para além daquele conjunto de traços, junto à entrada do moinho mais meridional do Alto de S. Bento, observa-se igualmente, no lado oposto do mesmo moinho, uma linha sinuosa, picotada, que pode, eventualmente, corresponder a gravuras rupestres, parcialmente ocultas pela estrutura molinária.

Junto ao outro moinho restaurado, em frente à porta, são também visíveis três covinhas, pouco profundas, mas que correspondem à métrica habitual neste tipo de gravuras; as covinhas são, como se sabe, um dos temas mais recorrentes, em termos planetários, da arte rupestre pré-histórica.

Por último, refiram-se as duas "pias" escavadas em frente ao primeiro moinho. Trata-se de estruturas negativas cilíndricas, de formas extremamente regulares, cuja funcionalidade nos escapa e cuja atribuição a épocas antigas e a objectivos rituais se pode, provisoriamente, admitir. Sugerem, efectivamente, as pias que caracterizam muitos dos santuários rupestres pré-romanos, associados, em geral, ao mundo cultural indo-europeu ou, sobretudo, as que, na Galiza, parecem estruturar complexos painéis decorados com círculos, espirais e labirintos, como acontece na famosa Laxe das Rodas, em Muros.

Seja como for, o Alto de S. Bento é, sem dúvida, um dos grandes povoados neolíticos da região, cujo estudo, em vários níveis, enriqueceria certamente o património arqueológico eborense.